Gissele Chapanski
Este livro, organizado por Cristina Altman e Júlia Lourenço, propõe-se a tratar do "feminino", e não exatamente da "mulher", na Historiografia Linguística. Embora aparentemente inócua, tal escolha vocabular revela muito do posicionamento da obra ante seu objeto de estudo. Mais que categoria ou critério simples, o gênero é compreendido aqui como fator macrocultural, dinâmico e complexo. A noção de feminino abarca não só a pluralidade de mulheres possíveis sob as diversas variantes (geográficas, cronológicas, socioculturais, econômicas), como o amplo espectro de visões e expectativas sobre o papel da mulher dentro e fora do circuito intelectual vinculado aos estudos linguísticos. Desde o título, portanto, o que à primeira vista soa apenas como uma postura abrangente e democratizante das editoras é, na verdade, opção metodológica condizente tanto com a práxis historiográfica em si como com a natureza do tema e o estado da arte das suas investigações.