Santiago de Compostela, España
El objetivo de este artículo es explorar la presencia del teatro —en especial, el escrito en castellano— en los conventos femeninos del norte de Portugal durante el siglo XVII. Con este fin, se examinan, en concreto, tres monasterios de la Orden de Santa Clara. En primer lugar, se da a conocer un entremés inédito bilingüe en castellano y portugués, compuesto por un religioso a partir del minucioso guion elaborado por Bárbora Pereira, monja en el convento de São Francisco de Vale de Pereiras (Ponte de Lima). A continuación, se analizan una loa y una serie de redondillas firmadas por Jerónimo Baía, que permiten dar noticia de un montaje de La humildad y la soberbia, de Lope de Vega, en Santa Clara de Vila do Conde, así como de la existencia de otras prácticas parateatrales, relacionadas con las procesiones del Corpus Christi. Por último, se repasa una representación de Amado y aborrecido, de Calderón, en Santa Clara de Oporto, precedida por una loa anónima. Todo ello ratifica la importancia no solo del teatro barroco, sino también del intercambio literario hispano-luso entre las monjas de esta región, en el seno de una comunidad interliteraria ibérica.
The aim of this article is to explore the presence of theatre —especially that written in Castilian— in the female convents of northern Portugal during the seventeenth century. To this end, three nunneries of the Order of Saint Clare are examined. First, the paper presents an unpublished bilingual entremés in Castilian and Portuguese, written by a priest after a detailed script by Bárbora Pereira, a nun in the convent of São Francisco of Vale de Pereiras (Ponte de Lima). Next, it discusses a loa and a series of redondillas by Jerónimo Baía, which reveal a staging of Lope de Vega’s La humildad y la soberbia at Santa Clara of Vila do Conde, as well as the existence of other para-theatrical practices related to the Corpus Christi processions. Finally, attention is paid to a performance of Calderón’s Amado y aborrecido at Santa Clara of Oporto, preceded by an anonymous loa. This confirms the significance not only of Baroque theatre, but also of the Spanish-Portuguese literary exchange amongst the nuns of this region, as part of an Iberian interliterary community.
O objetivo deste artigo é dar conta da presença do teatro —especialmente, o teatro escrito em castelhano— nos conventos femininos do norte de Portugal durante o século XVII. Com este fim, examinam-se em particular três conventos da Ordem de Santa Clara. Em primeiro lugar, apresenta-se um entremés inédito, bilingue em castelhano e português, composto por um religioso a partir do meticuloso guião escrito por Bárbora Pereira, freira em São Francisco de Vale de Pereiras (Ponte de Lima). Depois, analisam-se uma loa e uma série de redondilhas assinadas por Jerónimo Baía, que informam sobre uma encenação de La humildad y la soberbia, de Lope de Vega, em Santa Clara de Vila do Conde, bem como sobre a existência de outras práticas para-teatrais relacionadas com as procissões de Corpus Christi. Por último, destaca-se uma representação de Amado y aborrecido, de Calderón, em Santa Clara do Porto, precedida de uma loa anónima. Tudo isto confirma o alcance não só do teatro barroco, mas também do intercâmbio literário hispano-luso, entre as freiras desta região, no seio de uma comunidade interliterária ibérica.