Brasil
Más allá de la celebración de la Revolución de Abril, la esperanza grabada en las puntas de las armas que desfilan por una nueva avenida de libertad, más allá del significado simbólico que conlleva la marcha, desmantelando casi medio siglo de una feroz dictadura en el calor de los días posteriores, parece existir cierto desencanto en la literatura portuguesa (hiper)contemporánea con el 25 de abril, en la medida en que, para citar a Eduardo Lourenço, este movimiento fue más un sueño que una experiencia vivida. Basada en una selección de novelas publicadas en los siglos xx y xxi, esta obra pretende descubrir tanto la fascinación por este tema como detonante literario como algunas de las implicaciones más pesimistas que presentan estas narrativas. En este sentido, lejos de adoptar un enfoque conservador sobre el tema, o de denotar cualquier referencia que busque validar o redimensionar el fascismo que asoló Portugal (un debate que lamentablemente regresa con el auge de los políticos de extrema derecha), estas narrativas parecen revelar una perspectiva crítica —o desilusionada— sobre el tema. Para ello, este estudio intenta evaluar la recurrencia del tema en obras de autores como António Lobo Antunes, Helder Macedo, Manuel Alegre, Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso y António Tavares, en textos que investigan tanto el desmantelamiento de la maquinaria de la dictadura como la preparación para la revolución, además de profundizar en el fallido recurso a la descolonización inmediatamente posterior y el lugar de las figuras históricas que articularon la revolución y el propio 25 de abril en la actualidad. El análisis teórico se basa en autores como Eduardo Lourenço, José Gil, Margarida Calafate Ribeiro y Ana Paula Arnaut, entre otros.
Beyond the celebration of the Revolução de Abril — hope affixed to the barrels of rifles parading along a newly opened avenue of freedom—and beyond the symbolic weight of this historic march that dismantled nearly half a century of brutal dictatorship in the heat of the days that followed, (hyper)contemporary Portuguese literature often reveals a certain disillusionment with the 25th of April. As Eduardo Lourenço noted, the revolution was perhaps «more dreamed than lived.» This study examines a selection of novels published across the 20th and 21st centuries to trace both the fascination with the revolution as a literary catalyst and the more pessimistic or critical perspectives these narratives express. Rather than adopting a conservative stance or seeking to rehabilitate or relativize the fascist regime that oppressed Portugal—a dangerous discourse resurfacing with the rise of far-right political actors—these literary texts suggest a reflective, and at times disenchanted, engagement with the revolution and its aftermath. The analysis focuses on works by authors such as António Lobo Antunes, Helder Macedo, Manuel Alegre, Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso, and António Tavares. These texts explore the dismantling of the dictatorial apparatus, the revolutionary process itself, the fraught and often failed decolonization efforts that followed, and the evolving role of the revolution and its key historical figures in contemporary Portuguese memory. Theoretical grounding will draw on thinkers such as Eduardo Lourenço, José Gil, Margarida Calafate Ribeiro, and Ana Paula Arnaut, among others.
Para além da celebração da Revolução de Abril, esperança cravada na ponta das armas em desfile por uma nova avenida de liberdade, para além do significado simbólico que a marcha traz, ao desmantelar quase meio século de uma ditadura feroz no calor dos dias que a sucedem, parece haver um certo desencanto na literatura portuguesa (hiper)contemporânea com o 25 de abril, na medida em que, a citar Eduardo Lourenço, esse movimento foi mais sonhado do que vivido. A partir de um recorte de romances publicados no século XX e no XXI, este trabalho pretende descortinar tanto o fascínio desse tema enquanto gatilho literário, como algumas implicações mais pessimistas que essas narrativas apresentam. Nesse sentido, longe de assumir uma abordagem conservadora do assunto, ou denotar quaisquer referências que procurem validar ou redimensionar um fascismo que assolou Portugal (debate infelizmente de volta com a ascensão de políticos da extrema direita), estas narrativas parecem revelar um lugar crítico – ou desencantado – na abordagem do tema. Para esse efeito, intenta-se aferir a recorrência da matéria, em obras de autores como António Lobo Antunes, Helder Macedo, Manuel Alegre, Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso, António Tavares, em textos que tanto investigam o sistema de desmantelamento da engrenagem da ditadura e a preparatória da revolução, como se aprofundam no recurso falhado de descolonização imediatamente posterior e o lugar das figuras históricas que articularam a revolução e do próprio 25 de Abril nos dias de hoje. Como base de análise teórica, autores como Eduardo Lourenço, José Gil, Margarida Calafate Ribeiro, Ana Paula Arnaut, entre outros.