María de Lourdes dos Anjos Marqués Pereira 

El hecho de que celebremos en este mismo año l os 500 años del nacimiento de Luís de Camões y los 50 años de la revolución del 25 de Abril nos impele a interpretar la simbología que esa coincidencia pueda representar, yendo al encuentro del espíritu épico que traspasa la identidad lusa. Ese espíritu termina por configurar una de las obras más significativas de la literatura moderna y contemporánea; Nuevas Cartas Portuguesas, obra que sabe nutrirse de una herencia renacentista al mismo tiempo que dialoga con un concepto de heroísmo moderno, que va al encuentro de lo que encontramos en Mensaje, de Fernando Pessoa, y de un heroísmo mucho más humano; un héroe que, al ser consciente de la dimensión da su lucha, tiene miedo y recelos, loque no le impide de salir hacia la batalla, confiado, no ya en un destino divino que le redimirá en el decisivo momento, antes en su coraje y resiliencia, tan humano que acabará por representar el verdadero exemplum, fuerza motriz de una cultura.
The concurrence of the 500th anniversary of Luís de Camões’s birth and the 50th anniversary of the April 25th Revolution invites a reflection on the symbolic resonance of this coincidence, which may be interpreted as embodying an epic spirit constitutive of Portuguese cultural identity. This epic dimension finds renewed expression in one of the most emblematic works of modern and contemporary Portuguese literature: Novas Cartas Portuguesas. While this text inherits and reconfigures elements of the Renaissance tradition, it simultaneously articulates a conception of modern heroism, comparable to that explored in Fernando Pessoa’s Mensagem. Yet, in contrast to the transcendental heroism of earlier paradigms, Novas Cartas Portuguesas foregrounds a profoundly humanized heroism: a subject who, fully aware of the magnitude of his struggle and of the inevitability of fear and vulnerability, nevertheless undertakes the task of resistance. No longer sustained by the promise of a redemptive divine destiny, this hero embodies a secularized form of courage and resilience. It is precisely this human dimension which, by serving as an exemplum, constitutes the generative force of a culture and the ground of its symbolic renewal.
O facto de que se celebrem num mesmo ano os 500 anos do nascimento de Luís de Camões e os 50 anos da revolução do 25 de Abril leva-nos a interpretar a simbologia que essa coincidência possa representar, indo ao encontro de um espírito épico que atravessa a nossa identidade lusa. Esse espírito acaba por configurar uma das obras mais representativas da nossa literatura moderna e contemporânea e que são Novas cartas Portuguesas, uma obra que se nutre de uma herança renascentista mas que dialoga com um conceito de heroicidade moderna, como o que encontramos em Mensagem, de Fernando Pessoa, e que vai ao encontro de uma heroicidade muito mais humana; um herói que, por ser consciente da dimensão da sua luta, teme e receia, mas partirá para a sua batalha, confiante, já não num destino divino que o redimirá num momento final, mas antes na sua coragem e resiliência, tão humanas que devirão num verdadeiro exemplum, força motriz de uma cultura.