Socorro, Portugal
Neste trabalho, analisa-se a tendência para suprimir preposições argumentais antes da conjunção integrante que, isto é, antes de orações completivas declarativas finitas. São consideradas diversas preposições, em especial de, em, com e para. O foco é no registo escrito (neutro ou formal) do português europeu contemporâneo, tal como documentado, por exemplo, em texto jornalístico ou em texto ficcional traduzido. Após uma breve revisão da literatura, são apresentados dados quantitativos resultantes de pesquisas sistemáticas em corpora sobre a tendência em causa, sendo destacados os verbos com que ela mais frequentemente se manifesta. Estes dados poder ser úteis para diferentes profissionais da língua (em áreas como o ensino, a tradução, ou a revisão de texto). Observa-se que os verbos se agrupam em diferentes classes, em função da frequência do queísmo, e que estas envolvem diferenças na perceção dos falantes sobre a maior ou menor adequação das formas a contextos de elevada formalidade
This paper discusses the tendency to omit argumental prepositions before the conjunction que ‘that’, i.e.
before declarative finite complement clauses. Several prepositions are scrutinised, mainly de ‘of’, em ‘in’, com ‘with’, and para ‘for’. The focus is on the (neutral or formal) written registers of contemporary European Portuguese, as documented, for example, in newspaper texts or in translated fiction. After a brief literature review, quantitative data obtained from systematic queries in corpora is used to characterise the trend in question, with an emphasis on the verbs it most frequently co-occurs with. This data may be useful for different language professionals (in areas such as teaching, translation or proofreading). It is underlined that verbs are grouped into different classes, depending on the frequency of the omission at stake and that these classes associate with differences in the speakers’ perception of greater or lesser adequacy in highly formal contexts.