El objetivo de este trabajo es pensar cómo la literatura puede ser también un espacio para construir memorias cuir alternativas a las del relato oficial, es decir, cómo la ficción es una herramienta para tejer genealogías válidas y poderosas al margen de los códigos de lo real. Para entrar ahí, abrimos dos senderos que terminarán cruzándose. Primero, rastreamos lo que podría ser una genealogía de las genealogías cuir, esto es, recopilamos y congregamos los conceptos con que han sido nombrados los procesos de cuirificación de la memoria. Segundo, proponemos pensar en la literatura como un contra-archivo cuir de genealogías disidentes que utiliza la ficción para crear ecosistemas y memorias alejándose de la práctica archivística e historiográfica tradicional; oponiéndose, entonces, a las violencias del silencio impuesto y dando paso a toda una estirpe que se mueve por la imaginación y tiene efectos mágicos, como las leyendas que se cuentan en voz alta.
The aim of this work is to consider how literature can also be a space for constructing memories queer alternative to those of the official story, that is, how fiction is a tool for weaving valid and powerful genealogies outside the codes of reality. To enter there, we open two paths that will end up crossing each other. First, we trace what could be a genealogy of queer genealogies, that is, we compile and congregate the concepts with which the processes of queerification of memory have been named. Second, we propose to think of literature as a queer counter-archive of dissident genealogies that uses fiction to create ecosystems and memories, moving away from traditional archival and historiographical practice; opposing, then, the violence of imposed silence and giving way to a whole lineage that moves through the imagination and has magical effects, like the legends that are told out loud.
O objetivo deste artigo é considerar como a literatura pode também ser um espaço de construção de memórias alternativas às da narrativa oficial, ou seja, como a ficção é uma ferramenta para tecer genealogias válidas e poderosas fora dos códigos do real. Para lá chegar, abrimos dois caminhos que acabarão por se cruzar. Em primeiro lugar, traçamos o que poderia ser uma genealogia das genealogias cuir, ou seja, compilamos e reunimos os conceitos com os quais foram nomeados os processos de cuirificação da memória. Em segundo lugar, propomos pensar a literatura como um contra-arquivo cuir de genealogias dissidentes, que usa a ficção para criar ecossistemas e memórias, afastando-se da prática arquivística e historiográfica tradicional, opondo-se assim à violência do silêncio imposto e dando lugar a toda uma linhagem que se move pela imaginação e tem efeitos mágicos, como lendas contadas em voz alta.