Carolina María de Jesús fue una escritora que denunció, en sus textos, las discriminaciones raciales, sociales y tantas otras desigualdades destinadas a las personas que sobrevivieron/sobreviven con la miseria y a los márgenes de la sociedad.
Aunque ella determina los espacios físicos en sus obras, el contexto en el cual inserta a sus personajes se conecta a perfiles sociales que convivieron con la autora inspirando y/o moldeando el proceso de construcción, al mismo tiempo, de la autora y de la escritura. Para comprender cómo se dio ese proceso, este artículo tiene como objetivo investigar la construcción de los personajes en O escravo, novela inédita publicada en 2023. En él discutiremos sobre las disputas trabadas por los personajes femeninos en locales marcados por la colonialidad del poder. Esta investigación será conducida por perspectivas pos(de)coloniales fundamentadas en Quijano, Bhabha, Collins, Figueiredo. Al final de estas discusiones, concluimos que la escritora, por medio de los personajes femeninos, subvierte el sistema patriarcal y se presenta como un modelo de resistencia, rompiendo con el silencio a ella impuesto, al mismo tiempo que producía una narrativa desconstructiva de prácticas universalizadas y eurocéntricas, exigiendo para sí el conocimiento y una experiencia de vida que desafiaron el canon literario dominante de una escritura novelística urbanizada, centralizada y emblanquecida.
Carolina Maria de Jesus was a writer who denounced, in her texts, racial discriminations, social inequalities, and so many other disparities faced by people who survived/survive in misery and on the margins of society. Although she defines the physical spaces in her works, the context in which she places her characters connects to social profiles that coexisted with the author, inspiring and/or shaping the process of construction of both the author and her writing. To understand how this process occurred, this article aims to investigate the construction of characters in O escravo, an unpublished novel published in 2023. It discusses the disputes waged by female characters in places marked by the coloniality of power. This research is conducted through post(de)colonial perspectives grounded in Quijano, Bhabha, Collins, and Figueiredo. In the end, we conclude that the writer, through her female characters, subverts the patriarchal system and presents herself as a model of resistance, breaking the silence imposed on her while producing a deconstructive narrative of universalized and Eurocentric practices, demanding for herself knowledge and life experiences that challenged the dominant literary canon of urbanized, centralized, and whitened novelistic writing.
Carolina Maria de Jesus foi uma escritora que denunciou, em seus textos, as discriminações raciais, sociais e tantas outras desigualdades destinadas às pessoas que sobreviveram/sobrevivem com a miséria e às margens da sociedade.
Ainda que ela determine os espaços físicos em suas obras, o contexto no qual insere suas personagens se conecta a perfis sociais que conviveram com a autora inspirando e/ou moldando o processo de construção, ao mesmo tempo, da autora e da escrita. Para compreender como se deu esse processo, este artigo tem como objetivo investigar a construção das personagens em O escravo, romance inédito publicado em 2023. Nele discutiremos sobre as disputas travadas pelas personagens femininas em locais marcados pela colonialidade de poder. Esta pesquisa será conduzida por perspectivas pós(des)-coloniais alicerçadas em Quijano, Bhabha, Collins, Figueiredo. Ao fim destas discussões, concluímos que a escritora, por meio das personagens femininas, subverte o sistema patriarcal e se apresenta como um modelo de resistência, rompendo com o silêncio a ela imposto, ao mesmo tempo em que produzia uma narrativa desconstrutiva de práticas universalizadas e eurocêntricas, exigindo para si o conhecimento e uma experiência de vida que desafiaram o cânone literário dominante de uma escrita romanesca urbanizada, centralizada e embranquecida.