Colombia
Como una especie de conflicto atávico, las relaciones paternofiliales han permeado la literatura desde tiempos antiguos; en tal sentido, bastaría con recordar Los hermanos Karamazov (1880) o La Metamorfosis (1915) de Kafka. A la luz de los planteamientos arquetípicos sobre la figura del padre (Frenzel) y del modo narrativo de Genette, en tanto herramienta de análisis textual, fue explorada la relación paternofilial en los cuentos “No oyes ladrar los perros” (1953) de Juan Rulfo y “A terceira margen do rio” (1962) de João Guimarães Rosa. A lo largo del escrito fue posible dar respuesta a ¿en qué medida las categorías “distancia” y “perspectiva/focalización” derivadas del modo narrativo perfilaron o regularon el punto de vista del narrador en ambos cuentos? O ¿los matices del vínculo paternofilial, en los cuentos, devinieron del punto de vista adoptado por quien cuenta la historia? Independientemente de las razones que llevaron a ambos padres a no forjar una relación de armonía con sus hijos, las dos figuras paternales se sitúan en un entrelugar o un tercer espacio, en el que todas las decisiones, de tipo estructural, tomadas por quien enuncia entretejen el antiquísimo y enmarañado conflicto paternofilial.
Like a kind of atavistic conflict, father-child relationships have permeated literature since ancient times; in this regard, one need only recall The Brothers Karamazov (1880) or Kafka's The Metamorphosis (1915). In light of archetypal approaches to the figure of the father (Frenzel) and Genette's narrative mode, as a tool for textual analysis, the father-child relationship was explored in the short stories “No oyes ladrar los perros” (1953) by Juan Rulfo and “A terceira margem do rio” (1962) by João Guimarães Rosa. Throughout this paper, it was possible to a n s w e r: t o w h a t e x t e n t d i d t h e c a t e g o ri e s o f “ d i s t a n c e ” a n d “perspective/focalization”—derived from narrative mode—shape or regulate the narrator's point of view in both stories? Or, did the nuances of the father-child bond in the stories stem from the point of view adopted by the storyteller? Regardless of the reasons that led both fathers to fail to forge a harmonious relationship with their children, the two paternal figures are situated in an in-between place or a third space, where all the structural decisions made by the narrator weave together the ancient and tangled father-child conflict.
Como uma espécie de conflito atávico, as relações paterno-filiais têm permeado a literatura desde os tempos antigos; nesse sentido, bastaria recordar Os Irmãos Karamazov (1880) ou A Metamorfose (1915) de Kafka. À luz das abordagens arquetípicas sobre a figura do pai (Frenzel) e do modo narrativo de Genette, enquanto ferramenta de análise textual, explorou-se a relação paterno-filial nos contos “No oyes ladrar los perros” (1953), de Juan Rulfo, e “A terceira margem do rio” (1962), de João Guimarães Rosa. Ao longo do texto, foi possível responder à questão: em que medida as categorias “distância” e “perspetiva/focalização”, derivadas do modo narrativo, delinearam ou regularam o ponto de vista do narrador em ambos os contos? Ou será que as nuances do vínculo paterno-filial, nos contos, decorreram do ponto de vista adotado por quem conta a história? Independentemente das razões que levaram ambos os pais a não estabelecer uma relação harmoniosa com os seus filhos, as duas figuras paternas situam-se num entrelugar ou num terceiro espaço, no qual todas as decisões, de natureza estrutural, tomadas por quem enuncia entrelaçam o antigo e emaranhado conflito paternofilial.