Warszawa, Polonia
Este artículo examina la trayectoria y las implicaciones políticas del exónimo uitoto en la Amazonia colombiana, analizando la tensión entre denominaciones exógenas y denominaciones propias promovidas por autoridades y organizaciones murui-muina. Se argumenta que uitoto no es una etiqueta descriptiva neutral, sino una categoría consolidada en circuitos misioneros, académicos y estatales, incorporada a censos, títulos colectivos, marcos educativos y clasificaciones lingüísticas. El término opera como mecanismo de legibilidad administrativa, simplificando una ecología sociolingüística diferenciada. Frente a esta consolidación institucional, autoridades y organizaciones murui-muina han impulsado estrategias de re-nombramiento, formalizadas en mandatos, Planes de vida y negociaciones con entidades estatales en Colombia y el Perú. La adopción del autónimo murui-muina, junto con la reafirmación de denominaciones internas (murui, mɨka, mɨnɨka y nɨpodɨmakɨ) no constituye un consenso homogéneo entre todos los grupos históricamente asociados a la categoría uitoto, sino un proceso aún en negociación entre distintos cabildos y autoridades del Gran Resguardo Predio Putumayo en Colombia. A partir de etnografía prolongada, análisis documental y examen de infraestructuras clasificatorias, el estudio muestra cómo el nombre funciona como puerta de acceso a derechos territoriales, educación intercultural y reconocimiento administrativo y lingüístico. El caso evidencia los límites del modelo “una lengua = un pueblo” en contextos de multilingüismo histórico y diferenciación ontológica, y subraya la necesidad de marcos de política lingüística sensibles a la diferenciación interna en América Latina.
This article examines the trajectory and political implications of the exonym Uitoto in the Colombian Amazon, analyzing the tension between exogenous designations and self-designations promoted by Murui-Muina authorities and organizations. It argues that Uitoto is not a neutral descriptive label, but a category consolidated through missionary, academic, and state circuits, incorporated into censuses, collective land titles, educational frameworks, and linguistic classifications. The term operates as a mechanism of administrative legibility, simplifying a differentiated sociolinguistic ecology. In response to this institutional consolidation, Murui-Muina authorities and organizations have advanced renaming strategies, formalized in mandates, Planes de vida, and negotiations with state entities in Colombia and Peru. The adoption of the autonym “Murui-Muina”, together with the reaffirmation of internal denominations (Murui, Mɨka, Mɨnɨka, and Nɨpodɨmakɨ), does not constitute a homogeneous consensus among all the groups historically associated with the category Uitoto, but remains a process under negotiation among different cabildos and authorities of the Predio Putumayo Indigenous Reserve in Colombia. Drawing on long-term ethnography, documentary analysis, and an examination of classificatory infrastructures, the study shows how naming functions as a gateway to territorial rights, intercultural education, and administrative and linguistic recognition. The case highlights the limits of the “one language = one people” model in contexts of historical multilingualism and ontological differentiation, and underscores the need for language policy frameworks that are sensitive to internal differentiation in Latin America.
Este artigo examina a trajetória e as implicações políticas do exônimo uitoto na Amazônia colombiana, analisando a tensão entre rótulos exógenos e as autodenominações promovidas por autoridades e organizações murui-muina. Argumenta-se que uitoto não é um rótulo descritivo neutro, mas uma categoria consolidada em circuitos missionários, acadêmicos e estatais, integrada a censos, títulos coletivos de terra, estruturas educacionais e classificações linguísticas. O termo funciona como um mecanismo de legibilidade administrativa que simplifica uma ecologia sociolinguística distinta. Em resposta a essa consolidação institucional, autoridades e organizações murui-muina têm impulsionado estratégias de renomeação, formalizadas por meio de mandatos, Planes de vida e negociações com entidades estatais na Colômbia e no Peru. A adoção do autônimo murui-muina, juntamente com a reafirmação de designações internas (murui, mɨka, mɨnɨka e nɨpodɨmakɨ), não representa um consenso homogêneo entre todos os grupos historicamente associados à categoria uitoto; trata-se, antes, de um processo ainda em negociação entre vários cabildos e autoridades do Gran Resguardo Predio Putumayo, na Colômbia. Com base em etnografia de longa duração, análise documental e no estudo de infraestruturas de classificação, o estudo demonstra como o nome atua como uma porta de entrada para direitos territoriais, educação intercultural e reconhecimento administrativo e linguístico. O caso evidencia as limitações do modelo “uma língua = um povo” em contextos de multilinguismo histórico e diferenciação ontológica, ressaltando a necessidade de estruturas de política linguística na América Latina que sejam sensíveis à diferenciação interna.