Santiago, Chile
En este artículo se analizan comparativamente las novelas de ciencia ficción El fin de la infancia, del escritor inglés Arthur C. Clarke (1953), y Los altísimos, del chileno Hugo Correa (1959), que exploran el contacto entre la humanidad y civilizaciones extraterrestres avanzadas desde un contexto sociohistórico compartido. El análisis considera el tránsito desde una situación inicial utópica hacia una realidad abiertamente distópica, marcada por la pérdida de autonomía humana, la subordinación a inteligencias superiores y la existencia de jerarquías cósmicas que exceden la comprensión de los sujetos. A partir de una lectura textual comparada, se sostiene que ambas obras elaboran respuestas simbólicas afines ante ansiedades históricas propias de la Guerra Fría, de la carrera espacial y de la ambivalencia del progreso técnico. No obstante, el artículo también examina sus diferencias: mientras Clarke formula esta crisis en términos principalmente ontológicos y biológicos, Correa la reescribe en clave moral, como una advertencia frente a la soberbia civilizatoria y los peligros éticos del desarrollo tecnológico.
Resumo: Este artigo analisa comparativamente os romances de ficção científica O Fim da Infância, do escritor inglês Arthur C. Clarke (1953), e Os Altíssimos, do chileno Hugo Correa (1959), que exploram o contato entre a humanidade e civilizações extraterrestres avançadas, com base em certas semelhanças temáticas que podem ser estabelecidas entre ambas e que derivam do contexto sociohistórico compartilhado. A análise considerou a transição de uma situação inicial utópica para um final abertamente distópico, caracterizado pela submissão da humanidade a um poder extraterrestre, que se transforma em uma projeção do conflito ideológico próprio da Guerra Fria. A análise é concluída com uma caracterização da ficção científica da década de 1950, que considera a visão do extraterrestre como uma ameaça à ordem social e mostra a influência que o contexto social, político, econômico e cultural da década de 1950 teve na literatura latino-americana da época.
Palavras-chave: ficção científica, distopia, Guerra Fria, romance, década de 1950.
This article offers a comparative analysis of the science fiction novels Childhood's End by the British writer Arthur C. Clarke (1953) and Los altísimos by the Chilean author Hugo Correa (1959), both of which explore contact between humanity and advanced extraterrestrial civilizations within a shared sociohistorical context. The analysis focuses on the transition from an initially utopian situation to an overtly dystopian reality, marked by the loss of human autonomy, subordination to superior intelligence, and the existence of cosmic hierarchies that exceed the understanding of individual subjects. Through a comparative textual reading, it is argued that both works elaborate analogous symbolic responses to historical anxieties associated with the Cold War, the space race, and the ambivalence of technological progress. The article also examines their differences: whereas Clarke frames this crisis primarily in ontological and biological terms, Correa rewrites it in moral terms, as a warning against civilizational hubris and the ethical dangers of technological development.