We intend to reflect in this article Miguel Torga’s impressions from his travel to Angola and Mozambique which the author captured in his Diary, cultivated between 1932 and 1994. Torga, who lived an important part of his adolescence in Brazil (1920–1925), was especially sensitive to the conditions of oppression, lack of freedom, intolerance and humiliation. In this regard, we will see Torga pondering about the former Portuguese Empire, finding contrasts in the Portugal of his time, rejecting wars that plagued the territories of the Portuguese Africa, and commenting on the decolonization process. An important portion of this thematic strand was created during his trip to Angola and Mozambique in 1973. Therefore, we hope to provide hints about Torga’s understanding of the decolonization process, cultural respect and transmission of ethical values based on his diary entries.
Neste artigo pretendemos focar as impressões de Angola e Moçambique, que o autor capturou nas páginas do seu Diário, cultivado entre 1932 e 1994. Torga, que viveu a parte crucial da sua adolescência no Brasil (1920–1925), a capinar, guardar gado e apanhar café na Fazenda de Santa Cruz, Minas Gerais, mostravase especialmente sensível às condições de opressão, falta de liberdade, intolerância e humilhação. Nesta linha, destacam reflexões que Torga dedicou ao antigo Portugal Ultramarino, aos contrastes do presente de Portugal, as guerras que estavam a atormentar os territórios da África Portuguesa, bem como ao processo de descolonização. Uma importante parte desta vertente foi criada como reação à viagem a Angola e Moçambique realizada em 1973. Por tanto, a partir da leitura das entradas diarísticas, esperamos fornecer indicações sobre o entendimento do processo de descolonização, respeito pela cultura e a transmissão de valores éticos vistos pelo aclamado poeta português.