Seguindo o princípio de que a construção de uma norma-padrão é um processo histórico complexo e polêmico, abordamos a comparação da normatização do português e do castelhano a partir de uma perspectiva glotopolítica. Nesse sentido, entendemos a constituição de territórios linguísticos como a formação de espaços de produção de lealdade linguística em relação a uma norma, que propõe uma representação unificada a partir de práticas linguísticas extremamente diversas e que (antes ou à margem desse processo) se apresentam sem cortes nem delimitações bem definidas. Neste artigo identificamos os momentos históricos que correspondem à focalização e construção de ambas as línguas, assim como os agentes e as instâncias de normatização e as polêmicas que inevitavelmente fazem parte desses processos, considerando a diferença entre a “padronização difusa” do português e a centralidade da RAE e da ASALE que caracteriza o âmbito da língua espanhola.