Salamanca, España
Desde hace unas décadas resulta de interés para la disciplina el potencial de la traducción como forma de activismo y resistencia, que permite desestabilizar los discursos hegemónicos sobre la Historia que han llegado hasta nuestros días. Por medio de un estudio de caso que aborda una autorreflexión sobre el proceso de traducción colaborativo que tuvo lugar, se pretende poner de manifiesto en qué medida este ejercicio académico puede convertirse en una herramienta de lucha contra el olvido. Tomando como texto original una serie de cartas redactadas por Paul Wendorf, soldado estadounidense que viajó a España como miembro de las Brigadas Internacionales de la Guerra civil española (1936-1939), se pretende evidenciar el valor historiográfico y documental de un texto inédito en su entorno original, que ha sido publicado en España como una edición académica con la intención de contribuir a la creación de una memoria transnacional. La escritura intimista y la narración de los eventos traumáticos obliga, en este caso, a adoptar un marco teórico que incorpore el componente emocional y afectivo y que permita, a su vez, aproximarse de forma crítica a una narración autobiográfica y parcial del país en esa época, que se describe desde una perspectiva foránea.
Depuis quelques décennies, le potentiel de la traduction en tant que forme d’activisme, de résistance et de mécanisme de déstabilisation contre certains discours hégémoniques sur l’histoire suscite l’intérêt des études de traduction. Au moyen d’une étude de cas avec une autoréflexion sur le processus de traduction qui a eu lieu, nous visons à mettre en évidence comment cet exercice académique peut devenir un outil dans la lutte contre l’oubli. En prenant une série de lettres écrites par Paul Wendorf, américain membre des Brigades Internationales pendant la Guerre Civile Espagnole (1936-1939), nous avons l’intention de souligner la valeur historiographique et documentaire de son témoignage. Le but est de contribuer à la création d’une mémoire transnationale par sa traduction en espagnol, et que celle-ci, à son tour, serve de forme de réparation pour les victimes et autres personnes touchées par le conflit. L’écriture et la narration intimes d’événements traumatiques rendent nécessaire, dans ce cas, l’adoption d’un cadre théorique qui incorpore les courants théoriques de la traduction émotionnelle et affective et qui permet, aussi, une approche critique d’une narration autobiographique et partielle du pays à cette époque, décrit d’un point de vue extérieur. Cette recherche ne se contente pas d’approfondir les définitions théoriques de la discipline, mais elle fournit également des cadres d’analyse et des solutions de traduction pour aborder la traduction de textes de thématique et de genre similaires.
For some decades now, the discipline has focused on the potential of translation as a form of activism and resistance, becoming a mechanism to destabilize the hegemonic discourses on History which have survived to the present day. Analyzing a case study through a self-reflection on a collaborative translation process, this paper aims to show to what extent this academic exercise can become a tool to counteract oblivion. Taking as an original a series of letters written by Paul Wendorf, an American soldier who traveled to Spain as a member of the International Brigades during the Spanish Civil War (1936-1939), the goal is to highlight the historiographical and documentary value of an unpublished text in its original context, which has been edited in Spain as an academic volume with the intention of contributing to the creation of a transnational memory. The intimate writing and the narration of traumatic events makes it necessary, in this case, to adopt a theoretical framework which incorporates the emotional and affective component which allows, at the same time, to critically approach an autobiographical and partial narration of the country at that time, which is described from a foreign perspective.
Há algumas décadas, o potencial da tradução como forma de ativismo, de resistência e de mecanismo desestabilizador contra certos discursos hegemónicos sobre a história tem sido de interesse para os estudos da tradução. Ao analisar um estudo de caso por meio de uma autorreflexão sobre um processo de tradução colaborativa, este artigo busca mostrar até que ponto esse exercício acadêmico pode se tornar uma ferramenta para combater o esquecimento. Tomando como original uma série de cartas escritas por Paul Wendorf, um membro das Brigadas Internacionais durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), temos pretendido destacar o valor historiográfico e documental do seu testemunho, com a intenção de contribuir para a criação de uma memória transnacional através da sua tradução para espanhol, e para que esta, por sua vez, sirva como forma de reparação para as vítimas e outras pessoas afetadas pelo conflito. A escrita íntima e a narração de eventos traumáticos tornam necessário, neste caso, adotar um referencial teórico que incorpore o componente emocional e afetivo, o qual permite, ao mesmo tempo, uma abordagem crítica de uma narrativa autobiográfica e parcial do país naquele período, descrito a partir de uma perspectiva estrangeira. Esta pesquisa não só aprofunda as definições teóricas da disciplina, mas também fornece quadros de análise e soluções de tradução para abordar a tradução de textos de temática e gênero semelhantes.