Genoa, Italia
El artículo analiza la visibilidad política de las mujeres durante la dictadura brasileña y su posterior reelaboración en el ámbito memorial. Para ello, se han examinado tres núcleos documentales: una selección de Voz Operária, periódico oficial del Partido Comunista Brasileño, publicada entre 1966 y 1977; los tres volúmenes del informe de la Comissão Nacional da Verdade de 2014; y el corpus visual y documental de la exposición Mulheres em Luta! Arquivos de memória política, presentada en el Memorial da Resistência de São Paulo entre 2023 y 2024, y acompañada del documental Partitura da escuta, de Bianca Turner. El análisis muestra que estos últimos no describen una trayectoria lineal hacia una mayor visibilidad, sino que generan formas específicas de reconocimiento y preservan sus propias zonas de sombra. Para interpretar este movimiento, se propone la noción de archivo de reaparición, entendida como una práctica de selección, montaje y reactivación de vestigios capaz de transformar las condiciones públicas de la escucha, la clasificación y la visibilidad. La fotografía se examina como una práctica social de producción de sentido y como un instrumento documental, ético y político.
This article analyses the political visibility of women during the Brazilian dictatorship, as well as how their memory was subsequently reworked. To this end, three documentary sources were examined: a selection of Voz Operária, the official newspaper of the Brazilian Communist Party, published between 1966 and 1977; the National Truth Commission's three-volume 2014 report; and the visual and documentary corpus of the exhibition Mulheres em Luta! Arquivos de memória política, which was presented at the Memorial da Resistência in São Paulo between 2023 and 2024 and was accompanied by the documentary Partitura da Escuta by Bianca Turner. The analysis reveals that these sources do not depict a consistent progression towards greater visibility, but instead generate distinct forms of recognition and preserve their own areas of obscurity. In order to interpret this movement, the notion of an archive of reappearance is proposed. This is understood as a practice of selecting, assembling, and reactivating to vestiges that have the power to transform the public conditions of listening, classification, and visibility. Photography is examined as a social practice of meaning-making, as well as a documentary, ethical and political instrument.
O artigo analisa a visibilidade política das mulheres durante a ditadura brasileira e a sua posterior reinterpretação na memória coletiva. Para esse efeito, foram examinados três conjuntos de documentos: uma seleção da Voz Operária, jornal oficial do Partido Comunista Brasileiro, publicada entre 1966 e 1977; os três volumes do relatório da Comissão Nacional da Verdade, de 2014; e o conjunto de materiais visuais e documentais da exposição "Mulheres em Luta!". Arquivos de Memória Política, apresentada no Memorial da Resistência de São Paulo entre 2023 e 2024 e acompanhada pelo documentário Partitura da Escuta, da realizadora Bianca Turner. A análise mostra que estes conjuntos documentais não descrevem uma trajetória linear rumo a uma maior visibilidade, mas sim produzem formas específicas de reconhecimento, preservando as suas próprias zonas de sombra. Para interpretar este movimento, é proposta a noção de "arquivo de reaparecimento", entendido como uma prática de seleção, montagem e reativação de vestígios, com o potencial de transformar as condições públicas de audição, classificação e visibilidade. A fotografia é examinada como prática social de produção de significado e como instrumento documental, ético e político.